Category: Esporte é arte
A Seleção é Brasileira?
| 14/05/2012 | Posted by toquedesegunda under Esporte é arte, Toque de Segunda |
Nos anos 80, sempre que a imprensa anunciava a convocação da seleção brasileira de futebol, o país parava. A expectativa era imensa, tanto nos jogadores dos clubes, quanto nos torcedores, que vibravam quando os seus ídolos eram lembrados para o time canarinho. Mas isso foi há muito, muito tempo.
Hoje em dia, sempre que a convocação é anunciada, a torcida nem conhece direito os jogadores. Afinal, grande parte deles nem sequer jogou aqui no Brasil. Exemplos não nos faltam: o atacante Huck, que defende o Porto, de Portugal, e o zagueiro David Luiz, que atualmente joga no Chelsea, da Inglaterra.
O colunista que vos escreve tem 36 anos de idade; acompanha o esporte bretão há 30, e modéstia à parte, tem uma memória de elefante quando o assunto é futebol. Contudo, para ser muito sincero, não me lembro das equipes que esses dois atletas defendiam quando por aqui jogavam.
Então, a conclusão emergente do óbvio é que o povo brasileiro, e mais precisamente os torcedores que acompanham futebol, não tem a mínima identidade com a sua seleção. Mas daí vem os defensores de que os melhores atletas estão na Europa, porque lá a condição financeira é melhor, o futebol tem um nível técnico e tático muito superior, etc. e tal.
Na semana que passou, pensei nisso durante boa parte do meu tempo. Afinal, sempre escuto os comentaristas e jornalistas esportivos dizendo que dentro de campo o nosso futebol ainda é o melhor do mundo. E não é somente dentro de campo. Observem o fato de que quando algum boleiro que joga na Europa se contunde, onde é que ele vem fazer a recuperação? No Brasil, é claro. Então, se considerarmos a medicina esportiva, a fisiologia e a preparação física, também estamos no primeiro mundo, ou bem próximo dele.
Mas por que os clubes não conseguem segurar os craques nos times nacionais? Existe ainda o glamour de se jogar na Europa, mas a questão é basicamente financeira. Não é somente para os times europeus que perdemos nossos jogadores. Hoje em dia, os clubes pequenos do Oriente Médio, da China e do Japão oferecem melhores salários do que os clubes daqui. E olha que jogador de futebol ganha muito mais que muito executivo brasileiro, que fala e escreve dois ou três idiomas.
Valorizando o dom brasileiro, esse é o slogan do nosso site. Acordei hoje para escrever a coluna, pensando no autor Lima Barreto, aquele que escreveu “Triste fim de Policarpo Quaresma”. No livro, Quaresma foi tratado como um louco, internado num hospício e posteriormente foi preso, pelo fato de querer que o idioma nacional fosse o Tupi, não uma língua emprestada de Portugal. Acho que estou muito sonhador, saudosista e louco como Policarpo Quaresma.
Gostaria que nossa seleção, não utilizasse jogadores “emprestados” dos times europeus.
Nota: Em pesquisa ao site www.wikipedia.org, o colunista verificou que tanto Huck, quanto David Luiz foram revelados pelo Vitória, mas se transferiram para a Europa antes mesmo de se tornarem jogadores profissionais.
Ivan Rocha é jornalista pela FMU-SP e pós graduado em Letras pela Unibam. Trabalhou em empresas de comunicação como a NET, na qual escrevia para o Jornal Em Foco. Foi finalista do Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo em 1999. Desde 2008 até os dias atuais escreve para a Revista Visão, publicação trimestral da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo. Contato: ilmrocha@yahoo.com.br
Pequenos ditadores
| 07/05/2012 | Posted by toquedesegunda under Esporte é arte, Toque de Segunda |
A semana começou com os finalistas do Paulistão definidos. Santos X Guarani, farão a merecida decisão, com um amplo favoritismo para o time da baixada santista. Mas nessa semana, outro fato mais curioso e chamativo mexeu com as idéias desse jornalista fanático por esportes, e mais ainda obcecado por futebol, que ainda é a maior paixão esportiva nacional.
Em tempos passados, Vicente Matheus, Alberto Dualib, Mustafá Contursi e Eurico Miranda, ficaram famosos na mídia por governar seus clubes com mãos de ferro. Tratavam o clube como se a equipe fosse propriedade deles. Com amor, como todo torcedor é claro. Mas também com uma baita dose de interesses pessoais e financeiros. Aliás, duvido muito de que algum dirigente trabalhe 8 horas por dia dentro do clube, sem receber salário ou alguma remuneração, por mais altruísmo e paixão que existam em suas personalidades.
Na semana passada, o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio ordenou ao técnico Emerson Leão, que afastasse o zagueiro Paulo Miranda. O motivo? A falha cometida pelo zagueiro na partida de domingo passado frente ao Santos, na semifinal do Paulistão.
Ah, mas a falha foi cometida devido a um lance de genialidade do garoto Neymar. E qual a novidade? Qual zagueiro ainda não teve sua coluna literalmente entortada pelo atacante santista? Ele ainda não é o melhor jogador do mundo. Mas brevemente o será. Principalmente se o Santos decidir vender o passe do atleta para algum clube europeu.
Juvenal é o presidente do clube, tem direito como mandatário, mas abusou de sua autoridade de dirigente de forma muito atrapalhada. Comparo sua atitude, como a de soltar macaquinhos em uma loja de cristais. Já imaginaram como ficariam as peças? O presidente poderia ter feito isso de uma maneira mais sigilosa, chamado o técnico e solicitasse o afastamento do atleta. Mas a informação vazou, e a meu ver o técnico do São Paulo ficou completamente enfraquecido no episódio.
No mínimo faltou entendimento e comunicação entre a diretoria do São Paulo e a comissão técnica. Afinal, todo dirigente brada aos quatro ventos que o atleta é um patrimônio do clube. Num esporte emocionante e dinâmico como o futebol, todos os jogadores estão sujeitos a cometer falhas. E a linha entre a vilania e o heroísmo é muito tênue. Numa partida um jogador pode ser decisivo a favor de um clube, e na rodada seguinte, falhar de maneira bisonha e comprometer o resultado da equipe.
A diretoria do São Paulo alegou ter afastado Paulo Miranda para preservar o atleta. Mas a meu ver “a emenda ficou pior do que o soneto”. Ou seja, tentaram consertar aquilo que não tinha mais conserto. Como diria Abelardo Barbosa, o velho guerreiro Chacrinha: “Quem não se comunica, se trumbica”.
Ivan Rocha é jornalista pela FMU-SP e pós graduado em Letras pela Unibam. Trabalhou em empresas de comunicação como a NET, na qual escrevia para o Jornal Em Foco. Foi finalista do Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo em 1999. Desde 2008 até os dias atuais escreve para a Revista Visão, publicação trimestral da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo. Contato: ilmrocha@yahoo.com.br
Exemplo de brasileiro
| 02/05/2012 | Posted by Maelo under Esporte é arte |
Quando vejo um telejornal recheado de violência e corrupção na política brasileira, meu orgulho de ser brasileiro desmancha. Fico sem referência, troco de canal e relembro de alguns brasileiros que passaram por aqui e faziam questão de se enrolar na bandeira nacional.
Ontem, no feriadão do trabalhador, fiquei vendo alguns vídeos do Ayrton Senna, no Youtube. Há 18 anos, num acidente de trabalho, no Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, durante o Grande Prêmio de San Marino de 1994, ele partiu, deixando atitudes e palavras que merecem destaque.
São tantas as histórias de superação, de conquistas e manobras memoráveis que aquela musiquinha emocionando as nossas manhãs de domingo, com Senna no pódio, enrolado na bandeira do Brasil, levantando a taça, faz muita falta. Ayrton Senna da Silva foi um guerreiro que fazia questão de dizer: “O fato de ser brasileiro só me enche de orgulho.”
Vídeo indicação pela Viviane Coutinho @vbio
Participe você também. Mostre a sua arte ou indique uma. Vamos juntos valorizar o dom brasileiro, autor de todas as artes. Mais informações: participe@artenomovimento.com.br
Recordações, automobilismo e o futebol
| 30/04/2012 | Posted by toquedesegunda under Esporte é arte, Toque de Segunda |
Segundo a prática do bom jornalismo, é aconselhável não utilizar-se de clichês ao escrever uma matéria. Mas como o espaço que me é destinado é uma coluna semanal, de liberdade com responsabilidade, vou ignorar a regra. “Quem vive de passado é museu?” Não gosto dessa frase e prefiro substituí-la por outra, muito mais otimista e condizente com a minha opinião: “Quem não tem passado, não tem história, logo também não terá futuro”.
No dia primeiro de maio de 1994, perdemos o gênio Ayrton Senna da Silva na curva Tamburello do circuito de Ímola, na República de San Marino. No mesmo ano, a seleção brasileira de futebol, tornou-se campeã mundial após um jejum de 24 anos sem título, ao vencer a Itália na disputa de pênaltis. A mesma Itália que fora derrotada na final da copa de 70, no México.
A proximidade da data me fez recordar esses fatos ocorridos há 18 anos. Naquele dia primeiro de maio, eu então com 18 anos de idade, estava numa sala de aula, prestando um concurso público, e devido ao compromisso, tive de faltar a uma decisão de um campeonato de futebol disputado no bairro. Nosso time, não era um dos melhores, e estávamos disputando a medalha de bronze e o terceiro lugar no torneio.
O nosso time de futebol venceu, eu não joguei, (aliás, eu sempre fui perna-de-pau) e Ayrton Senna morreu fazendo aquilo que mais gostava: desafiar a morte a cada 15 dias, a bordo de um carro de fórmula um. Naquele mesmo ano, recordo-me também, que o meia-atacante da Portuguesa, Denner, também faleceu num acidente automobilístico na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. O meia estava emprestado ao Vasco, mas tinha vínculo com a Portuguesa de Desportos. Pobre Denner, que nos deixou tão precocemente.
De lá pra cá muita coisa se modificou. A seleção Brasileira disputou mais duas finais de Copa do Mundo, perdeu uma e venceu outra. Mas na Fórmula um, ficamos definitivamente órfãos. Poucas vitórias de Felipe Massa e Rubens Barrichello, mas nenhum título mundial. Uma tradição que há 18 anos encontra-se sob jejum de títulos.
O Brasil também ficou órfão de ídolos no campo esportivo como um todo. O país obteve alguns sucessos na natação, na ginástica olímpica e no vôlei. Mas nada tão espetacular e emblemático como as vitórias de Ayrton Senna, naqueles domingos pela manhã. Seu gesto com a bandeira nacional tremulando em seu carro fazia-nos acreditar, mesmo que por um breve instante, que o país tinha futuro, que nosso povo sofrido, poderia orgulhar-se de ser brasileiro perante o resto do mundo.
Outro detalhe que vale a pena mencionar, é que o país, além do Grande Prêmio Brasil de Fórmula um, disputado em Interlagos, passou a ter uma importante prova no calendário da Fórmula Indy, a São Paulo Indy 300, que foi disputada ontem, nas ruas da maior cidade da América latina. Fato que , pelo menos no campo esportivo, estamos caminhando para o primeiro mundo.
Ivan Rocha é jornalista pela FMU-SP e pós graduado em Letras pela Unibam. Trabalhou em empresas de comunicação como a NET, na qual escrevia para o Jornal Em Foco. Foi finalista do Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo em 1999. Desde 2008 até os dias atuais escreve para a Revista Visão, publicação trimestral da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo. Contato: ilmrocha@yahoo.com.br
Ao mestre com carinho
| 23/04/2012 | Posted by toquedesegunda under Esporte é arte, Toque de Segunda |
Foi num dia 21 de abril, no ano de 2006, que o Mestre Telê Santana da Silva partia para o andar de cima. Antes de ser um excepcional treinador, Telê tinha dentre suas qualidades a seriedade e a responsabilidade como homem. Para ele, a figura humana não se separava da do atleta profissional de futebol, e utilizo a data de hoje para homenageá-lo.
Engraçada a coincidência de datas referentes às mortes de grandes personagens da história do Brasil, nascidos em Minas Gerais. Tiradentes, Tancredo Neves e Telê Santana. Outra curiosidade que acabei de notar ao escrever, é que seus nomes começam com a mesma letra, T, o T de talento em que os três personagens tiveram imprimido em suas respectivas áreas de atuação.
Mas voltando a falar especificamente de Telê Santana, foi com ele no comando técnico, que eu comecei a acompanhar o futebol. Na Copa de 1982, na Espanha, eu tinha apenas seis anos de idade; e juntamente com meu pai, torci, vibrei e chorei muito com a eliminação frente à Itália de Paolo Rossi, naquele dia 05 de julho, no Estádio Sarriá.
Telê foi o primeiro técnico a ser campeão brasileiro de futebol, comandando o Atlético-MG em 1971. Teve passagens pelo Grêmio, Palmeiras, Flamengo, clubes dos Emirados Árabes, além da Seleção Brasileira em duas Copas do Mundo. Mas foi no São Paulo, no início dos anos 90, que viveu sua fase mais vitoriosa como treinador. Nesses anos, deixou definitivamente de lado, a injusta fama de pé-frio, reforçada pela montagem de grandes equipes que não conquistavam títulos.
Telê venceu o campeonato brasileiro, além de ser bi-campeão da Copa Libertadores e do Mundial de Clubes. Além de conquistar vários outros torneios internacionais dirigindo o São Paulo. Com esses títulos, Telê mudou a filosofia do futebol brasileiro, que não dava muita importância aos campeonatos internacionais. De 92 prá cá, a coisa mudou, tendo em vista o desejo e a prioridade que os clubes brasileiros dão à Libertadores. Eis aí o Corinthians que não me deixa mentir.
Outra característica marcante de Telê foi a busca pelo futebol jogado sem violência. Com virilidade, mas sem deslealdade para com os seus adversários. Telê não admitia que seus atletas fossem irresponsáveis para com seus companheiros de profissão. Além disso, cansou de aconselhar seus jogadores em suas vidas pessoais. Certa vez, deu um pito no atacante Macedo, pois o mesmo chegou ao treinamento com um carrão importado, mas não tinha sequer uma casa pra morar. Era o lado paizão do mestre Telê.
Neste dia 21 de abril, essa foi minha homenagem, carregada de saudosismo e carinho ao mestre Telê Santana.
Ivan Rocha é jornalista pela FMU-SP e pós graduado em Letras pela Unibam. Trabalhou em empresas de comunicação como a NET, na qual escrevia para o Jornal Em Foco. Foi finalista do Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo em 1999. Desde 2008 até os dias atuais escreve para a Revista Visão, publicação trimestral da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo. Contato: ilmrocha@yahoo.com.br
Centenário
| 16/04/2012 | Posted by toquedesegunda under Esporte é arte, Toque de Segunda |
A coluna de hoje trata de um assunto factual e diferente. Desta vez não estou tão ácido como nos textos anteriores, graças a um estado de coisas que acontecem dentro e fora da gente, que mudam a nossa maneira de ver o mundo. Afinal, como diria o colunista da Folha de São Paulo, José Simão, quem fica parado é poste.
Os leitores que me desculpem o “nariz de cera”, a introdução explicativa no parágrafo acima, que não tem muito a ver com o título da coluna, mas com toda certeza servirá de referência para o entendimento do assunto que vou abordar no “Toque de Segunda” desta semana. Aliás, não se falou de outra coisa no noticiário esportivo dos últimos sete dias.
Estou de mudança, em tudo! De residência, de conceitos, e principalmente de visão de mundo. Então, ontem me permiti realizar um programa em que anos atrás, sequer me imaginaria fazendo. De repente, estávamos eu e meu irmão Edgar, rumo à Vila Belmiro, para tentar assistir as festividades pela comemoração do centenário do Santos Futebol Clube.
A viagem foi rápida, ou seja, a rodovia dos Imigrantes estava completamente livre. De modo que em quarenta e cinco minutos estávamos na porta da Vila Belmiro. E de frente ao estádio, a Torcida Jovem do Santos, com seus instrumentos fazendo a já tradicional batucada. Numa paz inacreditável! Para que os leitores tenham uma idéia, muitas mulheres e crianças, inclusive de colo, ao redor do estádio, fato inconcebível, pelo menos em minha cabeça, num jogo de futebol, e daí me pergunto: por que raios não poderia ser sempre assim?
Entramos no Memorial, pagando é claro, porque dentro do estádio não houve jeito, tamanha era a multidão. Mas o preço até que não foi tão caro, pela quantidade de informações obtidas lá dentro. Fato bacana não somente para os torcedores do Santos, mas também para qualquer fanático por futebol, incluindo esse jornalista que vos escreve, que não é santista, diga-se de passagem.
Troféus, fotografias, objetos, relíquias, vídeos. Enfim, tudo muito bem organizado e elaborado pela presidência do Santos. Relembrei os anos 80, com o time que foi campeão paulista em 1984, com um gol do Serginho Chulapa no último jogo do campeonato. Aliás, Serginho tido como jogador rebelde, mas que perto de alguns de hoje em dia, até que era bem comportado. O saudoso Telê Santana e a Copa de 82, que o digam.
Para terminar o texto dessa semana, gostaria de parabenizar o presidente do Santos, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro. Eis aí um cartola diferenciado, também o cara foi executivo de um dos principais bancos do país, e tem outra cabeça, menos imediatista, mais sonhadora e compatível com a modernidade. Tomara que outros novos dirigentes, como ex-jogadores, ou até mesmo outras pessoas do mundo empresarial passem a colaborar com nosso futebol. Dessa forma, as sanguessugas de plantão serão definitivamente exterminadas. Parabéns ao Santos FC pelos cem anos de vida!
Ivan Rocha é jornalista pela FMU-SP e pós graduado em Letras pela Unibam. Trabalhou em empresas de comunicação como a NET, na qual escrevia para o Jornal Em Foco. Foi finalista do Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo em 1999. Desde 2008 até os dias atuais escreve para a Revista Visão, publicação trimestral da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo. Contato: ilmrocha@yahoo.com.br







